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Bom, infelizmente a Helô não pôde nos dar o ar da graça neste Fash’n’Movies, mas não podemos deixar nossos leitores sem posts, certo? Desde já, peço desculpas se meu texto não ficar tão bom quanto o da Helô, mas vamos tentar…

Para ilustrar minha primeira (e talvez única) participação nesta seção, não precisei pensar muito: Tim Burton, é claro! Sempre Tim Burton. Meu cineasta favorito, com filmes incríveis, repleto de figurinos maravilhosos e um tom sombrio, psicodélico e caricato que só o diretor norte-americano sabe criar.

O figurino é um dos elementos mais importantes das produções cinematográficas. Conhecem a expressão “a primeira impressão é a que fica”? Então, em um filme, seja ele curta, longa ou média-metragem, a primeira impressão que temos dele é o figurino. É ele que vai apresentar ao espectador os aspectos mais importantes de uma obra cinematográfica, como a época, o local, o tipo de história e as personalidades de seus personagens.

Quando se fala em Tim Burton, o figurino é um dos principais atrativos de suas obras. É impossível ver fotos ou trailers de novos projetos do diretor e não se pegar falando que “é a cara do Tim Burton”. Identificamos o estilo na hora!

Em Alice no País das Maravilhas (que a Helô já mostrou aqui), as roupas são um espetáculo à parte. Com o estilo gótico representado nos figurinos e na maquiagem impecável com cores vibrantes, Tim Burton nos remete à um mundo de conto de fadas psicodélico.

No clássico Os Fantasmas se Divertem (1988), Tim Burton mostra exagero no figurino, maquiagem e cenários. É o exagero de todos esses aspectos que torna o longa assustador, engraçado e conquista a simpatia do público.

Bom, obviamente, devemos deixar claro que os figurinos não são do Deus Burton. Ele ajuda, opina e dirige, mas não assina. O primeiro talento artístico desenvolvido pelo cineasta foi o desenho e a pintura mórbida e psicodélica, o que dá boas noções de cores e estilos na hora de compor um figurino. Mas, para criar essa estética 100% perfeita, o trabalho fica por conta da figurinista norte-americana Colleen Atwood, que foi indicada para o Oscar diversas vezes e levou o troféu para casa em três ocasiões: Chicago (2002), Memórias de uma Gueixa (2006) e Alice no País das Maravilhas (2010). Também foi premiada com o Bafta pelo figurino em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999).

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e, ao lado, Colleen segurando a estatueta do Oscar de Melhor Figurino

Colleen também foi a grande responsável pela caracterização imortal de Johnny Depp em Edward Mãos de Tesoura. A roupa do personagem foi criada com o objetivo de parecer uma armadura que protegia Edward do mundo real. O rapaz esquisito, que tinha tesouras no lugar das mãos, tinha os sentimentos representados em seu figurino sombrio: solidão, tristeza e exclusão.

Colleen também deu vida ao figurino de Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas. O figurino do longa nos dá uma sensação de aconchego e familiarização. São figurinos simples, mas que misturados ao cenário formam um conjunto que nos leva a crer na fantasia do filme.

Em Sweeney Todd, a parceria entre Burton e Colleen mostra como um figurino pode se transformar em uma metamorfose cinematográfica. Enquanto o personagem interpretado por Johnny Depp vive feliz com a família em uma Londres ensolarada, o figurino é colorido e com cores suaves. Depois do trauma em perder a família, o barbeiro da Rua Fleet (assim como todo o elenco) passa a usar roupas escuras e sombrias, em uma Londres fria, suja e nublada.

A lista de filmes “Burtonianos” é extensa e vale ter todo seu figurino conferido e avaliado do início ao fim (isso inclui, até mesmo, as animações). Mas, do meu humilde ponto de vista, são esses citados no post que merecem  mais destaque.

Essa foi minha participação no Fash’n’Movies de hoje. Espero que tenham gostado. Até mais!

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